Friedrich Nietzsche

“O esforço dos filósofos tende a compreender o que os contemporâneos secontentam em viver.”

Sigmund Freud

“Não, nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar.”

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Auto-ajuda: o segredo do maior fenômeno literário da atualidade

1. AUTO-AJUDA: ORIGEM E MERCADO

Leiam mais livros!", eis a clássica indicação de nossos professores(as), em especial, professores(as) de português. De fato, ler é muito bom! Além de ampliar nosso vocabulário, ajudando a nos familiarizarmos com palavras pouco usadas no dia-a-dia, os livros podem conter informações que nos ajudam na vida quotidiana. Livros de filosofia é um exemplo que merece grande destaque neste quesito. Frutos de longas reflexões, e estudos de vidas inteiras, estes livros são de uma preciosidade indiscutível! Porém, são obviamente voltados para um público restrito. Não que este seja o objetivo, mas sim uma conseqüência natural da ignorância massiva. Com intuito de nos ajudar a enfrentar a vida quotidiana e os constantes problemas que passamos ao longo de nossas vidas, surgiram os livros de auto-ajuda. Existem alguns que, de fato, passam uma mensagem interessante, produtiva, proveitosa para nossas vidas! Um exemplo é a obra Inteligência Aplicada do médico brasileiro Dr. Lair Ribeiro. Mas, a maioria das obras deste gênero literário, tende a vender o individualismo, falsa-felicidade, fórmulas ineficazes de sucesso, etc, etc, etc... E é justamente essa idéia que irei defender neste artigo.

1.1. A origem dos livros de auto-ajuda

Em 1859, publicado pelo escritor e reformador britânico Samuel Smiles, Auto-Ajuda foi o livro que deu nome ao gênero. A frase de abertura do livro é "O Céu ajuda aqueles que ajudam a si mesmos" (nítida variação de "Deus ajuda aqueles que ajudam a si mesmos"), máxima usada constantemente por Benjamin Franklin em sua obra Almanaque do Pobre Ricardo (Poor Richard's Alamanc). Smiles ficou conhecido por escrever livros que exaltam a importância da auto-ajuda.

1.2. O mercado da auto-ajuda

Segundo a CBL - Câmara Brasileira do Livro - em 2000, o segmento das obras de auto-ajuda cresceu 7%. Entre 1997 e 1998 as vendas de obras de auto-ajuda dobraram literalmente (passando de 1,1 milhão, para 2,1 milhões de cópias vendias). Porém, em 1994, o número de obras deste gênero literário, não chegava a 500 mil exemplares (não ultrapassavam 411,9 mil exemplares).

"O instituto de pesquisas Marketdata estima que o mercado da "auto-ajuda" movimentou cerca de US$8.5 bilhões em 2003. Esses negócios incluem comerciais, catálogos, institutos holísticos, livros, fitas de áudio, palestras motivacionais, o mercado de treinamento pessoal, perda de peso e programas de controle do stress. Eles projetaram que o tamanho total desse mercado pode alcançar mais de US$11 bilhões em 2008".

(Fonte: Wikipedia)

É incrível como o mercado que envolve o universo da auto-ajuda tem faturado tantos milhões! Clair Maria Miller, há 5 anos proprietária da Livraria e Papelaria Renascer, conta que os livros que estão vendendo mais no momento são os livros de auto-ajuda. "Está fora do normal nos últimos tempos. Acho que nunca teve tanta procura por esse tipo de livro. Os livros de ficção e não-ficção, além das biografias também são bastante procurados, mas os que vendem mais são mesmo os de auto-ajuda", revela Clair.

Rhonda Byrne, escritora australiana, publicou a obra The Secret - O Segredo, o maior fenômeno literário do segmento da auto-ajuda. Nos Estados Unidos foram mais de 6 milhões de cópias vendidas, enquanto aqui no Brasil, são cerca de 250 mil cópias vendidas. Antes de se tornar um best seller a obra nasceu como um documentário, de mesmo nome - que já vendeu 1,7 milhão de cópias em DVD - criado pela própria Rhonda. Estas marcas impressionantes renderam milhões e milhões ao cofre da australiana - além de ter sido considerada uma das 100 pessoas mais influentes em 2007, pela revista estadunidense Time [é como se fosse uma revista Veja dos Estados Unidos].

2. FENÔMENO SOCIAL E PSICOLÓGICO: A INFLUÊNCIA DOS LIVROS DE AUTO-AJUDA

Não é assim tão surpreendente ver tantas obras literárias do segmento de auto-ajuda sendo vendidos, e que esta venda tenha crescido, ano após ano, quando se analisa este fenômeno do ponto de vista psicológico-social. É fato consumado que as pessoas tendem a buscar soluções rápidas e confortadoras para seus problemas. Receitas da felicidade, fórmulas do sucesso! Quando tem problemas com relacionamento amoroso, tendem a buscar por livros que lhes ensinem a suportar a dor da perda. Se tiver problemas financeiros, buscam livros com soluções para estes problemas. Falta de auto-estima, de autoconfiança buscará formas sentir-se confortado com sua atual condição física e emocional. Cientes dessa necessidade da massa ignorante, os autores de obras de auto-ajuda faturam milhões e milhões anualmente. Particularmente, considero isso um crime! Na incapacidade de escrever uma obra intelectualmente proveitosa e produtiva, esses sanguessugas tiram proveito da ignorância da massa, contribuindo para a alienação oferecendo receitas confortadoras e de fácil assimilação. Muitas vezes, relatando supostas experiências pessoais, depoimentos de pessoas cujas vidas mudaram para melhor depois de ler tal obra. É o caso das obras literárias The Secret – O Segredo e What the Bleep do We Know!? (algo comoO que diabos nós sabemos?” ou “Quem somos nós?”). Ambos começaram como documentários que estão recheados de depoimentos e comentários de pessoas mudaram suas vidas para melhor, e supostos especialistas no assunto. E em ambos há dois pontos em comum: 1º) a idéia de que você pode influenciar tudo à sua volta apenas com seu pensamento; 2º) são baseados em pseudociência, fazendo uso da física quântica, alegando que esta evidencia suas teorias.

2.1. O que é pseudociência?

Pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em fatos científicos, ou de alto padrão de conhecimento, mas que não resulta do método científico.

Motivações para a defesa ou promoção de uma pseudociência variam de um simples desconhecimento acerca da natureza da ciência ou do método científico, a uma estratégia deliberada para obter benefícios financeiros, filosóficos ou de outra natureza. Algumas pessoas consideram algumas ou todas as formas de pseudociências como um entretenimento sem riscos. Outros, como Richard Dawkins, consideram todas as formas de pseudociência perigosas, independentemente destas resultarem ou não em danos imediatos para os seus seguidores.

(Fonte: Wikipedia)

No caso das obras The Secret – O Segredo e What the Bleep do We Know?!, a pseudociência entra com a alegação de que a física quântica comprova as teorias de que o pensamento pode influenciar o mundo à nossa volta. Mais adiante comentarei mais a fundo sobre a veracidade de tais fatos, mas, por ora, vou me deter na questão da ciência por trás das idéias a serem vendidas em tais obras.

De fato, há uma idéia a ser vendida nessas obras, e pode-se dizer que, infelizmente, o fizeram com grande sucesso. Mas para toda venda de uma idéia, principalmente quando é bem sucedida, há uma estratégia por trás, um “marketing”. Ora, nada melhor para dar consistência a uma idéia, dar crédito, que o respaldo da ciência (chega a ser engraçado ver que, as mesmas pessoas que ignoram a ciência, fazem uso dela, dão crédito a ela, quando supostamente evidencia uma opinião pessoal).

Em The Secret – O Segredo, Rhonda Byrne escreveu:

Em termos simples: toda energia vibra numa freqüência; por ser energia, você também vibra numa freqüência, e o que determina sua freqüência de vibração a qualquer momento dado é o que você pensa e sente. Todas as coisas que você deseja são formadas de energia e elas também estão vibrando. Tudo é energia. Eis o fator deslumbrante: quando você pensa no que deseja e emite aquela freqüência faz vibrar na mesma freqüência a energia daquilo que deseja e o traz para você! Ao se concentrar no que deseja, você muda a vibração dos átomos daquela coisa, fazendo-a vibrar para você. A razão de você ser a mais poderosa torre de transmissão do Universo é ter recebido o poder de concentrar sua energia por meio de seus pensamentos e alterar as vibrações daquilo em que se concentra, o que então atrai o que deseja magneticamente para você.

O que é mais incrivelmente gritante nisso, é a facilidade com que ela afirma algo tão absurdo! Sem qualquer pudor ou acanhamento, ela escreve com (suposta) convicção algo sem qualquer embasamento, e, o que é mais controverso, fazendo uso da (pseudo) ciência para dar crédito aos seus escritos.

No documentário What the Bleep do We Know!?, há um momento em que a personagem principal do filme, Amanda (uma fotógrafa surda) assiste a uma apresentação onde são exibidas imagens supostamente fotografadas por um microscópio de campo escuro (essas fotos são nitidamente fotos de cristais de gelo editadas por computador). Há uma mulher fazendo a apresentação das fotos, explicando que uma imagem é da água da represa Fujiwara pura, e a outra é da mesma água depois de ser benzida por um monge Zen budista (http://www.youtube.com/watch?v=BHDC0jz1A98). Estas fotos teriam o intuito de demonstrar como nosso pensamento pode alterar a estrutura molecular da água. Mais adiante ela afirma: “E é realmente fascinante se pensar que 90% dos nossos corpos é formado de água.” De fato, é fascinante. Tamanha ignorância só pode ser, no mínimo, fascinante. Afinal, o corpo de um recém-nascidos é composto de cerca de 78%, as crianças de 1 ano de idade têm cerca de 65%, homens adultos têm cerca de 60%, e mulheres adultas cerca de 55%.

2.2. O segredo de The Secret – O Segredo

Agora, vou falar um pouco mais sobre a obra The Secret – O Segredo, da australiana Rhonda Byrne. Este livro é demasiado fraco em vários aspectos (não comentarei todos, apenas o que for necessário), a começar pelo que já foi apresentado anteriormente: a pseudociência.

Mas como pode um livro assim vender tanto? Como citei momentos antes, é um fato consumado que as pessoas tendem a buscar soluções rápidas, práticas e reconfortantes. De fato, quando passam por algum problema, buscam conforto, e não solução, para este problema. Ou, se for o caso, soluções práticas, de pouco (ou quase nenhum) esforço. Neste quesito The Secret – O Segredo deixa todos os seus concorrentes do universo da auto-ajuda para trás! Por que escrever um livro sobre soluções no amor (?); por que escrever um livro sobre como superar seus problemas com a auto-estima (?); por que escrever um livro ajudando as pessoas a terem confiança em si mesmas (?); é muito mais prático escrever um livro que possa oferecer solução simples e prática para todos esses problemas de uma só vez! E o nome dessa praticidade cômoda é: Lei da Atração.

De fato, desde que o livro The Secret – O Segredo foi lançado, não se fala em outra coisa. Apenas na tal Lei da Atração. Segundo esta lei, você pode atrair tudo que você quiser apenas com a força de seus pensamentos! E mais, você pode mudar o mundo com a força do seu pensamento. Basta que você se concentre e peça “da forma correta”. De fato, a grandiosa Rhonda Byrne sabe bem como se deve fazer o pedido, pois até mesmo ensina como fazê-lo:

Quando você concentra seus pensamentos em algo que deseja, e se mantém concentrado, naquele momento você está pedindo o que deseja com o poder mais forte do Universo. A lei da atração não computa ‘não’, ‘nem’ ou ‘nunca’, ou nenhuma outra palavra de negação. Quando você fala negativamente, isto é o que a lei da atração recebe.

‘Eu não quero derramar coisa alguma nesta roupa.’
‘Eu quero derramar alguma coisa nesta roupa e em outras coisas.’

‘Eu não quero um corte de cabelo feio.’
‘Eu quero cortes de cabelo feios.’

‘Eu não quero me atrasar.’
‘Eu quero atrasos.’

‘Eu não quero que aquela pessoa seja rude comigo.’
‘Eu quero que aquela e mais pessoas sejam rudes comigo.’

‘Eu não quero que o restaurante ceda nossa mesa a outros.’
‘Eu quero que os restaurantes cedam nossas mesas a outros.’

‘Eu não quero que estes sapatos machuquem.’
‘Eu quero que os sapatos machuquem.’

‘Eu não consigo dar conta de todo este trabalho.’
‘Eu quero mais trabalho do que posso dar conta.’

‘Eu não quero pegar um resfriado.’
’Eu quero o resfriado e quero pegar mais doenças.’

‘Eu não quero discutir.’
‘Eu quero mais discussão.’

‘Não fale comigo desse jeito.’
‘Eu quero que você e outras pessoas falem comigo desse jeito.’

A lei da atração lhe dá aquilo em que você pensa — e ponto final!

Rhonda Byrne deve ser uma pessoa demasiadamente especial, pois, ao que fica subentendido neste trecho, as forças do universo se materializaram diante dela explicando com interpretam as frases das pessoas. Mas ela sabe muito bem que as pessoas que buscam conforto em obras do segmento da auto-ajuda não se apegam aos detalhes. Este trecho, além de ter seus detalhes ignorados, ainda é interpretado com total seriedade pelos leitores da obra.

Quando expliquei o que é pseudociência, citei um trecho desta obra e gostaria de convocá-lo novamente. Neste trecho, fala-se sobre os átomos. Com a força do nosso pensamento, podemos fazê-los vibrar para nós atraindo-o. Somos uma torre de transmissão poderosa, pois podemos concentrar nossos pensamentos em qualquer coisa que quisermos. A questão aqui são os átomos. Ela escreve sobre os átomos como se tivesse algum conhecimento de física quântica. De fato, ela não tem nenhum, pois, se tivesse, não escreveria algo tão gritantemente absurdo! Um dos maiores desafios da física quântica são os átomos. Pouco se sabe sobre eles, e esse pouco é instável, indefinível, incerto. É demasiado complicado estudar os átomos, pois nunca se sabe como vão se comportar. Segundo o Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg, o observador interfere diretamente com o objeto observado (o átomo). Quando se tenta prever a trajetória de um elétron, torna-se impossível prever onde ele vai parar; quando se tenta prever onde vai parar, torna-se impossível prever sua trajetória. Não pretendo entrar em detalhes muito científicos, mas é necessário deixar esclarecido que mesmo os físicos quânticos sabem muito pouco sobre os átomos, e que os estudos com átomos são muito imprecisos. Em outras palavras, a explicação de Rhonda Byrne sobre a Lei da Atração, em sua vã tentativa de fazer uso dos átomos para comprová-la, é totalmente anti-científica.

Em suma, o segredo de todo o sucesso por trás da obra de Rhonda, é a criação de uma única teoria que se propõem a resolver todos os possíveis problemas que surgem ao longo de nossas vidas.

2.3. What the Bleep do We Know!?


Agora, falarei resumidamente sobre o documentário What the Bleep do We Know!?. Não há muito que dizer sobre este, pois segue, de certa forma o mesmo caminho de The Secret – O Secredo (exceto pelo fato de ser anterior a este).

What the Bleep Do We Know!? ou What the #$*! Do We Know!? (O que diabos nós sabemos?) — em cultura lusófona Quem somos nós? – filme controverso de 2004, combina documentário entrevista e uma narrativa ficcional para conectar a ciência à espiritualidade, baseado nos ensinamentos de JZ Knight/Ramtha, de quem os três diretores são devotos.

Os críticos oferecem misturadas opiniões [sobre o documentário What the Bleep do We Know!?], como visto nos sítios especializados, entre os quais o Rotten Tomatoes (versão americana do site www.omelete.com.br ), ou na crítica de Dave Kehr no New York Times, onde ele dá suas opiniões sobre o filme: aceita "a transição da mecânica quântica para a terapia cognitiva" como "plausível", mas considera que passar para o passo subseqüente da terapia cognitiva para as crenças espirituais não tem base. Subseqüentemente, pessoas que falavam sobre partículas subatômicas aludem a universos alternativos e forças cósmicas, que podem ser aproveitados no interesse de fazer as sensações de bem estar da Srta. Matlin.

(Fonte: Wikiédia)

Assim como a obra da australiana Rhonda Byrne, What the Bleep do We Know!? também se baseia em pseudociência; mas este vai ainda mais longe, chegando a mistificar a física quântica, alegando que esta é uma física de possibilidades. Por ser uma física de incertezas, de fato, a física quântica está aberta a muitas possibilidades; porém, o fato de haver muitas possibilidades não implica em “tudo é possível”. A chamada New Science (Nova Ciência), tenta unir misticismo com ciência, interpretando erroneamente as possibilidades abertas pela física quântica. O documentário “tem recebido críticas de toda a comunidade científica. Físicos, em particular, reclamam que o filme de forma grosseira deturpa o significado de diversos princípios da mecânica quântica, e se fundamenta na pseudociência” (fonte: Wikipedia).

Neste documentário, são discutidos assuntos referentes à neurologia, mecânica quântica psicologia, epistemologia, ontologia e espiritualidade. O filme apresenta várias entrevistas com supostos especialistas nestes assuntos; no livro baseado no documentário, há trechos das palavras destes “especialistas”, e com um “Ph.D” na frente do nome (exemplo: Gustavo Sales Barbosa, Ph.D), como se o fato de ele possuir um doutorado significa que ele sabe o que está dizendo; que está é uma verdade que você, como leigo, não possa questionar (além do fator psicológico, de que as pessoas tendem a ficar impressionadas com títulos acadêmicos, ao invés de analisar a veracidade das palavras do argumentador).

Existem, também, como já era de esperar, erros terríveis neste documentário (o que já demonstra que estes “especialistas” nada sabem sobre ciência). Um destes erros é o (já mencionado neste artigo) momento em que a personagem Amanda, está assistindo a uma apresentação de fotografias de um microscópio de campo escuro das moléculas da água, e a mulher que está fazendo a apresentação dessas fotos diz que nosso corpo é composto de 90% de água. Outra falha vem logo a seguir:

O filme também relata a história sobre os povos indígenas das Américas serem incapazes de ver as caravelas de Cristóvão Colombo. Entretanto, não há menção a isto nos relatos sobre tais viagens, e as tradições orais dos índios americanos se perderam nos 150 anos que se seguiram à descoberta, sob domínio espanhol. Nenhuma das pessoas que Colombo encontrou primeiro — os Arawaks — não tem qualquer descendente comprovado até os tempos modernos, então torna-se cientificamente impossível saber qual foi a experiência vivida pelas mesmas.

A história no filme pode ser uma versão confusa ou distorcida do incidente descrito na série Cosmos, do astrônomo norte-americano Carl Sagan (no Episódio 13), o qual descreve tradição oral como os Tlingit encontraram a expedição de La Pérouse nos anos 1780. O povo Tlingit teve medo no início de olhar diretamente os navios, porque imaginavam que a nave e suas velas fossem manifestações do 'Corvo' (ver mitologia), o qual poderia transformá-los em pedra. Um dos membros da tribo, um velho quase cego, teria decidido pegar uma canoa e remar até perto, e finalmente teria compreendido as embarcações e suas tripulações como elas eram.”

(Fonte: Wikipedia)

Neste trecho do documentário, em que é citada esta experiência dos índios, é alegado que nossos olhos são programados para ver apenas aquilo a que estamos acostumados. Gostaria de saber a explicação que eles teriam sobre uma criança, que ainda não sabe praticamente nada, ver tudo que os adultos vêem, e, por não terem conhecimento sobre aquilo que estão vendo, nos fazem perguntas. Se isso fosse mesmo verdade, as crianças não seriam capazes de ver coisa alguma, pois não tem conhecimento sobre nada daquilo que os cerca.

Para finalizar o artigo, fico com as palavras de Evangelista de Morais, professor de física que foi convidado a fazer comentários sobre este documentário em um cineclube (mas serve perfeitamente para os apologistas de The Secret – O Segredo):

Há um conselho que eu poderia dar, pra começo de história, é que se forem a uma livraria e encontrarem algum livro sobre a cura quântica, a relação entre o comportamento humano e a física quântica, as coisas místicas e a mecânica quântica, invés de comprar este livro usem o mesmo dinheiro para comprar um CD de música, ou então uma garrafa de vinho. Porque eu posso garantir que, provavelmente, ou quase que certamente, este livro é completamente inútil [...] Então, esse tipo de coisa está realmente no limite entre o que é ciência, e o que é pseudociência. Então, eu acho que se tiver alguma coisa que agente pode tirar do filme, é que você deve continuar cada vez mais cético com esse tipo de coisa.

9 comentários:

Luciano Darkside disse...

Olá Lord, muito legal sua iniciativa de desmascarar os pseudos-cientístas da auto ajuda. importante salientar que a parte falsa dessa história, são seus autores, e suas distorções das idéias.. Importante lembrar também, que a "educação" emocional (a qual se propõe originalmente a auto-ajuda) deve receber maior importância, apenas educação voltada as técnicas e ciências tornam o homem funerável.. se assim não fosse, se ele tivesse uma boa educação emocional, ele não cairia em armadilhas como the secret ou quem somos nós...

Abração Lord.. continue evoluindo com seu blog!! parabéns!!

Luciano Darkside.

Lux disse...

Oi my Lord!! ^^

Ótimo artigo. Você colocou idéias claras e precisas sobre esse fenômeno dos livros de auto-ajuda, que na verdade não ajudam em nada.

A maioria das pessoas que lêem esses livros acabam ficando dependentes dos "conselhos" que os autores dão para teoricamente revolucionar a vida das pessoas.

As pessoas buscam soluções rápidas para os problemas... nada melhor do que um livrinho né?... e é assim que o mercado cresce.

Teu blog tá indo bem... que venham mais artigos ótimos como esse.

Beijos!! ^^

Luciana.

Danilo disse...

Olá meu irmão, tudo certo ?
Achei muito interessante sua matéria sobre a auto-ajuda, até por que já discutimos esse tipo de assunto várias, e várias vezes. E temos idéias muito parecidas a cerca desse assunto, realmente muitos dos livros de auto-ajuda fazem uso de argumentos absurdos, e sem a menor comprovação da ciência conservadora.Simples por que a ciência conservadora, usa de métodos empiricos extremamente complicados, "vc" tem que comprovar seus argumentos de vários modos, pois a ciência tenta se cercar de todos os lados, para que não seja qualquer teoria absurda como estas que consigam seu aval,por que o méro uso da jargão "comprovado ciêntificamente" rompe barreiras, mesmo que as pessoas que se deixam levar por ele não façam a menor idéia da seriada dessa afirmação. justamente por isso devemos ver quem é seu autor e se não é mais um charlatão como a maioria desses aproveitadores.Bom,vou parar por aqui, que meu comentário já está ficando grande demais.
Mais seu post, ficou muito bom, estou esperando pra ver como ficou a futura matéria, sobre o espirito da música, quero ver como ela ficou depois de nossas conversas.
Um abraço, seu blog está muito bom.

roberto disse...

Sobre essa tal "Lei da Atração" em que se baseiam os livros de auto-ajuda, segundo a qual atraímos com nossos pensamentos coisas boas ou más, vejo muitas pessoas boas, até céticos de escol, encarando-a com uma condescendência incompatível com seu verdadeiro significado filosófico, como se fosse apenas mais uma superstição inofensiva. Nada disso...
Em um mundo marcado pelo solipsismo e individualismo, com os recursos altamente concentrados em uma elite, enquanto a vasta maioria das pessoas passam por enormes dificuldades de sobrevivência, éno mínimo crueldade tentar culpas os miseráveis por suas própria miséria, como se o "status quo" e o capitalismo nada tivessem com isso, afinal eles são assim apenas porque não pensam positivo...
Deveriam os idiotas que pensam assim mandarem as crianças que morrem de fome na África pensarem positivo, pois certamente a força deseus pensamentos reunidos afastaria da rota um avião carregado de alimentos, que se acidentaria precipuamente para que tivessem acesso á sua carga. Se tal não acontece, é porque as tais crianças não pensaram positivamente...
Lógico que os mantenedores do capitalismo e da concentração de renda adoraram esta besteira da "Lei da Atração",pois isso apazigua seu remorso ante a extrema miséria de populações inteiras, pois de acordo com tal "lei" eles sãoospróprios culpados pela miséria.
Por outro lado, o herdeiro de uma enorme fortuna, não interessa se por uma psicopatologia qualquer só pense negativamente, certamente pela lei de seus país herdará seus milhões de dólares da mesma maneira...
Faço um alerta para que não consideremos inofensivas estas teorias "adhoqueiras", pois elas só interessam aos mantenedores do "status quo" e aos cabotinos de toda espécie, mas ao contrário,lutemos com todas nossas forças contra essas metafísicas pervessas e que se destinam apenas a reconfortar o remorso dos que vivem com muito mais do que necessitam... Ego dixit!

camila disse...

ahh Gu vc é phodaaa...(nao li tudo)
mas o q importa é q a gente sempre conversa sobre essas coisas, sobre O Segredo, temos a mesma opiniao.
acredito q quem faz a nossa vida melhorar somos nós mesmo..
bjao pra vc... ;)

Luiz Fernando disse...

Ola meu Caro Amigo =D
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo artigo. São idéias relativas a visão futurística da nossa humanidade. Como entendemos, existem formas e caminhos para entender realmente a funcionalidade de nossa mente e corpo.
Concordo nos trechos em que diz "Auto-Ajuda é relativo de mercado, dinheiro, ganhar nas custas, etc." (claro que as declarações não foram com estas palavras, mas fica explícito a idéia)
Há algum tempo li sobre Paciência. O livro realmente é muito interessante, cabe ressaltar que o mesmo deixa de lado as alucionações e fantasias ignorantes e parte para uma noção Psicológica Formal.
Esta obra abrange muitas situações de esgotamento da paciência, em destaque cito "Podemos pensar no agora do que tentar prever um futuro", ou seja, como podem analisar, perdemos a paciência por tentarmos prever nossos acontecimentos futuros e com isso, nossas decepções vem a tona. Com base nessa citação, percebemos que tudo foi tratado na psicologia voltada para os métodos científicos, deixando de lado as alucionações precoçes envolvendo "Espiritualismos", "Atração", etc.
Destaco neste artigo a importância do esclarecimento referente ao mercado. Hoje muitos escritores buscam um método alienado de convencer um simples e humilde leitor que seus problemas são relativos a ACONTECIMENTOS transcedentes, fica claro a mesmisse "eu espero tudo acontecer debaixo das árvores, até que um dia a felicidade baterá em minha porta para todo sempre" isso é realmente PATÉTICO!
Abrir o olho para pessoas QUE PROCURAM SUCESSO NAS COSTAS DE POBRES é uma massa considerável habitante neste meio em que vivemos.

Um grande Abraço!

rackmoretti disse...

Gu é fato, nego faz de tudo pra ganhar dinheiro nessa vida,principalmente enganar pessoas para tal.O que me decepciona é a forma como tratam a ciência, que é tão dificil de ser traçada. Todo o trabalho dos pesquisadores vão por água abaixo com esse senso comum,e isso acaba desmoralisando a classe científica.
Mas podemos notar que o ser humano esta passando por uma nova crise,ou seja, a crise imediatista. Devemos levar em conta que os avanços cientificos neste ultimo século foram rapidos e modificou o mundo a todo vapor, e o que sobra disso??Um ser humano totalmente inseguro de si, egoista e ao mesmo tempo critico com o seu proximo.
Voltando no começo meu amigo,eu gostava mais do mundo quando eu era ingênua.

thiao disse...

fala gu, otima critica pois livros de auto ajuda Nada de errado com
eles ,mais tem varias controversias.Se você abrir um, por curiosidade, vai observar que eles estaram recheado com conselhos bem práticos sobre como tomar as rédeas de algum aspecto da própria vida.

A venda de um livro desses é feita como a de um remedio para todos os seus males. E o pobre e melancolico público desse tipo de obra o compra como se a simples leitura fosse transformar a sua vida.

E aí mora todo o problema desse segmento.

Simplesmente não tem nex!!!!!!!!!!!

sanduckvillas disse...

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